O BÁLSAMO DE GILEADE

06/06/2010 10:32

Jeremias 8.18- 22 ( 23); 9.1

  

    Gileade era um país ao leste do Jordão que produzia bálsamos e aromas de excelente qualidade. Nele existia também a produção de um remédio buscado por todos, que diziam ser o remédio para todos os males. Era o famoso bálsamo de Gileade encontrado em várias passagens bíblicas e utilizado por reis e rainhas, como especiarias da melhor qualidade. Descobrimos seu uso nas mais diversas ocasiões especiais, além de ser artigo de beleza das mulheres israelitas tanto no Antigo quanto no Novo Testamento.

    No texto acima, Jeremias utiliza esta idéia para expressar a dor pela qual estava passando; dor ao observar a ruína do seu povo. É importante perceber que o profeta apela para a presença de Deus em Sião (18 e 19ª), mas o próprio Deus responde dizendo que seu povo O ofendeu, buscando outros deuses (19c). Diante de tal situação, o profeta concluiu que o tempo da salvação já havia passado (20 ) e só lhe restava lamentar ( 21 e 22 ) e desabafar: “Acaso não há bálsamo em Gileade? Lá não há médico?” 

    Jeremias clama pelo bálsamo de Gileade. O texto nos mostra um profeta profundamente angustiado e sem esperança. Na expressão do profeta a cura estava distante, talvez em outro país. Humanamente falando, não havia nenhuma possibilidade de solução, pois diante dele somente existia um país sob ruínas, portanto, só lhe restava chorar. 

    O texto é um convite à reflexão sobre as nossas lamentações modernas. Um convite a pensar nos desabafos e nas lamentações presentes em meio às mais diversas crises que tiram nossa alegria de viver. Vivemos

em uma sociedade onde a troca de valores é constante em nosso cotidiano. Quantas vezes também não consideramos a vida sem esperança e sem expectativa do amanhã. 

    Para nós, Jeremias do século XXI, nosso bálsamo de Gileade está representado na pessoa de Cristo, onde há remédio e cura. Somente n´Ele encontramos paz e esperança, como também reencontramos a alegria da vida, muitas vezes perdida frente às lutas do nosso tempo. O texto é um convite a pensar que o nosso Bálsamo está mais perto do que imaginamos e ao mesmo tempo, pronto a nos curar e a nos mostrar o caminho a seguir. O mesmo profeta, desiludido no texto acima, olhando com os olhos da fé exclamou; “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança... as misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se a cada manhã. Grande é a tua fidelidade” ( Lamentações 3.21-23 ).

  

Rev. Silas de Oliveira