NOSSAS CISTERNAS ROTAS

04/07/2010 08:41

 Jeremias 2.4-19

 

        Uma cuidadosa leitura do livro do profeta Jeremias proporciona-nos a nítida idéia de que em sua história de vida há um pouco de cada um de nós. O profeta faz o papel de intermediário entre Deus e o povo, levando e trazendo as alegrias e tristezas de uma nação prestes a perder sua própria terra. O capítulo acima narra uma dura palavra, vinda da parte de Deus relativa à situação do povo de Israel. São verdadeiras acusações referentes à infidelidade do povo, que nas palavras do próprio Deus era uma nação consagrada ao Senhor ( v. 3 ) – primícias da sua colheita. Contudo, diante de tanto pecado, Deus deseja saber o porquê de tão terrível situação. Vejamos a expressão do versículo 5 “Que injustiça acharam vossos pais em mim, para de mim se afastarem, indo após a nulidade dos ídolos e se tornando nulos eles mesmos.... Diante de tantas coisas erradas, cometidas pelo povo, o cativeiro estava à vista. No versículo 13 temos uma idéia dos reais motivos do iminente cativeiro: “Porque dois males ( crimes ) cometeu o meu povo: eles me abandonaram, a fonte de água viva, para cavar para si cisternas rotas ( furadas) que não podem conter a água”.   Dois são os grandes crimes cometidos por Israel:

 

        1) Abandono de Deus - Deus é para Israel “FONTE DE ÁGUA VIVA”; água que jorra naturalmente da terra em fontes e riachos e com a qual se pode constantemente contar. Na opinião de todos os profetas, Israel havia desprezado a verdade, desprezando a vida. Sabemos que água é um alimento indispensável a todo o ser humano. Não conseguimos viver sem ela. Podemos rejeitar qualquer tipo de bebida, por melhor que seja, mas nunca rejeitamos um copo de água para matar a nossa sede. Abandono de Deus tem, a partir desta expressão, inúmeros significados. A Igreja e/ou nós abandonamos a Deus através das mais diversas maneiras. Nosso abandono pode estar representado pelo desprezo à verdade, pela indisposição ao trabalho, pela negligência profética diante das crises do nosso tempo, fato tão presente nos dias de Jeremias. Desprezando a água viva, deixamos de ser sinal de comunhão e unidade. Aliás, água é sinônimo vivo de comunhão. Ao redor de um copo de água, renovamos nossas forças e reforçamos nossa comunhão. Deus é o Deus da água viva, que mata a sede e nunca abandona os seus filhos, independente da situação. Infelizmente, o abandono à água viva levou o povo a um constante distanciamento do Criador.

 

        2) Cavaram cisternas rotas ( furadas ) - A palavra profética trabalha a idéia de cisternas que não retêm mais água. Cisternas rotas aqui significam os deuses pagãos, portanto, não confiáveis. O versículo 11 indica que a nação saiu em busca de outros deuses: “Houve alguma nação que trocasse os seus deuses, posto que não eram deuses? Todavia o meu povo trocou a sua ( minha ) Glória por aquilo que é de nenhum proveito”. Deixando de servir ao Deus verdadeiro, Israel entregou-se de corpo e alma a serviço dos ídolos representados pelos deuses, pelos falsos guias políticos ( pastores ) e religiosos que enganavam o povo, decidindo por conta e risco beber água em outras cisternas. Acabamos de comentar que água é sinônimo de comunhão. Israel estava se alimentando com águas contaminadas, procuradas em outras nações e o motivo disso tudo está expresso no versículo 17: “Acaso tudo isto não te sucedeu por haveres deixado o Senhor teu Deus, quando te guiava pelo caminho?”. Cisternas rotas, em nossos dias, são representadas pelas águas contaminadas que têm sido nosso alimento todos os dias. Águas contaminadas pelas falsas doutrinas; pela falta de fé, esperança e amor diante de um mundo sem o temor de Deus. Pelos relacionamentos rompidos em nome dos nossos próprios ideais; pela criação de outros deuses, exemplificados nas atitudes da Igreja diante da sociedade; pela falta de compromisso com o Reino; pelas crises do lar, do emprego e do pão de cada dia. Precisamos reconhecer que muitas vezes nossas cisternas também não têm retido a água da vida, consequentemente contaminando-se com as ofertas que não provêm de Deus. 

 

        Como filhos da Graça o texto é um convite à reflexão. Convite a pensar em Cristo como água da vida, que mata a nossa sede e nos apresenta um novo projeto de vida. Alimentados pela água da vida, somos, como Igreja, convidados a matar a sede daqueles que estão sedentos de Deus nas crises do mundo em meio às tragédias da vida. Obedecendo as palavras de Jesus não cometeremos o mesmo erro de Israel: “...aquele que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede” ( João 4.14ª).

 

Rev. Silas de Oliveira