A PRIMAVERA DE FÉ

04/10/2011 10:38

Cantares 2.10-15

Estamos em plena estação das flores.  Impossível não perceber que a beleza das flores e o cantar dos pássaros mudam nosso ambiente, conduzindo-nos  a pensar na vida como grande dádiva do Criador.  Cântico dos Cânticos é um dos livros bíblicos que mais abertamente declara a beleza do amor. Com sinceridade, precisamos reconhecer que é um dos livros mais esquecidos dentro de toda a Bíblia. Pouco lido e quase nunca comentado. Podemos considerar tal fato até estranho visto falar de um assunto que tanto as pessoas desejam em nosso mundo – o desejo de amar e ser amado.

Vale a pena fazer um paralelo entre a mensagem de cantares registrada no texto acima e a chegada da primavera que nos acompanhará nos próximos meses, preparando o verão. Cantares significa o mais belo, o principal, o mais importante. O tema central de todo o livro é           AMOR, focalizando a beleza de um relacionamento abençoado entre um homem e uma mulher. Surge daí a inspiração do seu autor em dizer que o inverno chegou ao fim e com ele três importantes momentos nos inspiram a cantar o amor.

1) PERÍODO DAS FLORES   ( vs. 12 ) - Com a chegada da nova estação a natureza começa a brotar. Surgem a beleza e o encanto das flores, com um perfume que domina todo o ambiente. Aparecem de todos os lados e de todas as formas, revelando a capacidade divina de fazer brotar novamente quando tudo demonstra desaparecer devido ao inverno e suas conseqüências. Pensando em nossa vida espiritual e em nossos relacionamentos, surge a primavera da fé quando nos dispomos a um período de brotas ( podas ). Nenhuma flor brotará com vigor e intensa beleza se não for podada e devidamente cuidada dia após dia. Assim acontece com nossos relacionamentos e com nossa vida espiritual. Necessitamos aprender com o romantismo de cantares para que nossa vida seja um verdadeiro jardim regado pelo próprio Criador.

2) PERÍODO DE LOUVOR  ( VS.12b ) - Outra marca significativa da primavera refere-se ao retorno dos pássaros das mais diversas espécies. As aves retomam o cântico e o encanto da música toma conta das árvores e jardins. Cantam a liberdade e proclamam que aqueles que são guiados pelo Criador, são livres e podem cantar os feitos de Deus. Afinal de contas, louvor e amor andam de mãos dadas, como aprendemos com nossos poetas que escrevem belas músicas sobre o amor. O texto nos convida a pensar na vida como cantores de Deus. Cantar suas bênçãos e seus cuidados, cantar seu amor e sua soberania, cantar a salvação e a certeza de um amanhã com Deus. Enfim, cantar a liberdade demonstrada pelos pássaros que foram criados livres para voar. Quando assim agimos nossos relacionamentos são fortalecidos na força do Espírito Santo, pois surge a primavera da fé quando nos dispomos ao louvor, com amor.

3) PERÍODO DE PRODUÇÃO   vs. 13 - Aqui está  o resultado de um período de cultivo com louvor. Surge a produção e com ela o  encanto em ver o produto tão esperado. Valeu a  pena plantar, regar, podar, e com alegria aguardar a produção independente das condições climáticas. É tempo de agradecer, pois nem mesmo as raposas conseguiram destruir a plantação. O texto nos convida a reconhecer que somente produzimos com qualidade,  quando nos comprometemos com o cuidado da plantação.  Surge a primavera da fé quando nos dispomos a produzir. Infelizmente muitos estão perdendo a produção para as raposas modernas ( vs. 15 ). Carecemos aprender que a  primavera da fé deve surgir em meio à crise. Quando tudo parece não dar certo, devemos investir, plantar, cuidar, pois no tempo do Eterno os frutos aparecerão.

 

Cantares nos convida às mudanças. Mudar para o mais belo, o mais importante, o principal. O texto é um convite a repensar nossos relacionamentos, permitindo que o maior de todos os dons encontre espaço diário em nosso coração. Somos convidados a amar e a transmitir o grande amor de Deus demonstrado na cruz. Isso é possível quando duas pessoas que se amam conseguem dizer como Habacuque  “Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco e nos currais não haja gado, todavia eu me alegrarei no Senhor, e exultarei no Deus da minha salvação” ( 3.18 e 18 ).

 

Rev.  Silas de Oliveira