A BÊNÇÃO DE SER VASO Jeremias 18.1-6

28/08/2012 09:51

A experiência do profeta registrada no texto acima é mais uma entre as diversas vividas por Jeremias em todo o seu ministério. É anterior ao cativeiro, pois Deus, através do profeta continuava oferecendo ao povo a oportunidade de mudança diante das dificuldades que poderiam ser evitadas.  Na realidade, Jeremias vive uma experiência belíssima, contudo, forte e desafiadora. Deus o desafia a aprender com o oleiro. Deveria observar e concluir, sabendo que o exemplo caberia à vida do povo de Israel. Vaso e oleiro – criador e criatura frente a frente, ensinando ao profeta como Deus também deseja trabalhar com seu povo, construindo-o em perfeitas condições. Uma leitura cuidadosa do texto conduz-nos à conclusão de que para ser um vaso reconstruído por Deus duas grandes iniciativas humanas são necessárias.

1)   DISPOSIÇÃO ( v.2,3 ) - Há uma verdadeira sintonia entre a ordem divina “desce à casa...” e a obediência profética:  desci à casa”. Ali havia uma obra para ser observada. Havia também a necessidade de escutar a voz de Deus,  e de maneira silenciosa aprender suas preciosas lições. Jeremias nos ensina que escutar é diferente de ouvir. Ouvir é um ato ideológico. Podemos ouvir qualquer coisa e não nos interessarmos por ela. Escutar é um ato do Espírito. É o parar para aprender, em outras palavras é o comprometer-se. O profeta nos ensina que para escutarmos a voz de Deus faz-se necessária muita disposição. Não podemos sofrer a crise da indisposição tão presente na vida humana, demonstrada através de gestos, atitudes e palavras frente ao trabalho de Deus. Sem disposição não há reconstrução, não existindo também possibilidade alguma de cumprir o chamado divino para o trabalho do seu Reino. O profeta estava disposto a colaborar com as necessidades de seu povo, aprendendo à luz da experiência daquele humilde oleiro. Havia disposição para reconstruir um novo futuro, preparado pelo próprio Deus, como demonstração de seu grande amor à nação.

 2)  SUBMISSÃO ( v. 6 )  - Após observar cuidadosamente o trabalho do oleiro, Deus faz  a seguinte pergunta: Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel...?”  Nas mãos de Deus, o Oleiro Maior, Israel seria reconstruído e ganharia uma nova forma com base nos moldes divinos. O texto é um convite à compreensão da mensagem  divina e a submissão do seu povo às suas ordens. O profeta passa por uma experiência ímpar que deveria repassar para todo o seu povo. Israel deveria se colocar submisso às ordens divinas e deixar que Deus mesmo trabalhasse sua vida, pois onde existe orgulho Deus não pode agir. Para a ação direta e concreta de Deus faz-se  necessário entender o chamado divino  e colocar-se sensível às suas ordens. A insensibilidade humana ao toque divino impede que mudanças vindas do céu tornem-se realidade em nossas vidas.

A narrativa bíblica é um convite para que nos coloquemos sensíveis na mão de Deus, disponíveis ao trabalho e abertos às mudanças vindas do Espírito. Se o homem ou a mulher se recusam a mudar é preciso rejeitar totalmente a massa, visto que Deus quer modelar o ser humano com sua palavra e não com a sua força. Infelizmente nos esquecemos de que somos barro, estamos quebrados e constantemente procuramos remendos.

Deus é o grande oleiro da  história humana. Diante D’ele não adianta disfarçar; conhece nossos defeitos e sabe onde estão os menores quebradiços da nossa vida. Com amor eterno deseja nos reconstruir, desde que estejamos dispostos e submissos às orientações da sua palavra. Sejamos um vaso de bênçãos nas mãos de Deus!

 

Rev. Silas de Oliveira